Vou esclarecer uma coisa sobre a concepção que tenho de socialismo: o comunismo que Marx & Engels vislumbraram, e que hoje é ainda mais óbvio, não romperia de jeito nenhum com a interconexão produtiva nem do tempo deles menos ainda do nosso tempo. Nenhum país desenvolvido ou “subdesenvolvido” são capazes de produzir completamente sozinhos tudo que sua população precisa. Essa profunda interdependência dos povos não é algo necessariamente negativo: ocorrendo uma revolução realmente comunista, ela não pode se fechar numa “experiência nacional” se for realmente comunista. E veja: não é questão de vontade individual ou “das lideranças”. A experiência avançar ou não pra uma revolução comunista é questão de condições materiais e subjetivas. +++
@comunismo


@RosaLuxemburgo @austra_lopiteco @comunismo A China, sob um partido comunista atualmente revisionista, impôs aos próprios trabalhadores um sistema exploratório e, com isso conseguiu reter dentro de suas fronteiras parte do resultado dessa exploração, que, do contrário, seria todo escoado para o centro do sistema capitalista. Só isso já melhorou muito a situação socioeconômica do país, e garantiu alguma independência, sem rompimento com o ocidente. É o que eles chamam de socialismo com características chinesas. Se em algum momento essa exploração pode ser interrompida para que possam a gozar verdadeiramente os benefícios do sucesso, é algo a se ponderar.
Mas um socialismo com características brasileiras poderia almejar outros sucessos. +
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Veja, a propósito, que o nosso agro é dependente de insumos importados porque se dedica à monocultura voltada para a produção de commodities destinadas à exportação. Mas podíamos almejar uma reforma agrária que invertesse essa lógica, com uma produção agroecologia descentralizada, próxima dos centros urbanos.
Podíamos almejar a reinserção urbana das comunidades faveladas direcionando a indústria da construção civil para essas áreas.
Podíamos almejar reduzir o número de burocratas (contadores, advogados, bancários, financiários, securitários, faria-limers, etc.) e aumentar o número de trabalhadores nas áreas da saúde e educação…
Enfim, reorganizar a produção já resultaria em enormes benefícios, e isso certamente ganharia a simpatia do povo.
@RosaLuxemburgo @austra_lopiteco @comunismo Eu acho que o trabalhador brasileiro está absurdamente alienado da produção, e somente vendo-se a si mesmo produzindo e se beneficiando da produção é que pode ganhar consciência de classe.
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Tentar colocar minha perspectiva, respondendo também a parte final desse da Rosa Luxemburgo
https://ursal.zone/@RosaLuxemburgo/116106293150574535
(confesso que é estranho eu “responder” algo pra Rosa 🤷♂️😅 ainda mais quando quem tá usando esse nick tem uma formação teórica tão sólida)
Começar pelo que o camarada Homem Povo trouxe, todos esses avanços que tu propõe não consigo imaginar acontecendo sem ser em um processo revolucionário. E são avanços que a China conquistou (além de muitos outros). E tudo isso que tu propõe pro Brasil, é um avanço na consciência, um grau elevado, mas ainda não é o tipo de consciência que Rosa está exigindo e onde estamos divergindo. +
(Comecei escrever algumas horas atrás, com várias pausas, então desculpa se tiver saltos de raciocínio)
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As tarefas que uma revolução tem que empreender são contraditórias, por que nenhum país é uma ilha, e ao mesmo tempo as relações entre nações se dão por critérios e modelos capitalistas (acho que isso a gente tá de acordo). A China tem um desafio especial que é seu tamanho populacional e de diversidade cultural. E se colocou como tarefa superar a capacidade produtiva do império sem se isolar nem entrar em conflito direto. Me parece uma premissa que encaramos de forma semelhante (“toda experiência revolucionária tem de acontecer localmente, isso é inescapável. Todas tiveram um destino aprisionado ao contexto nacional, e isso não é prematuro dizer, é um fato”), ainda que possamos discordar de algumas consequências.+
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“O ponto de vista que eu queria trazer sobre isso é que talvez devêssemos rever a premissa de que o desenvolvimento econômico no Estado socialista deve alcançar os mesmos índices dos Estados capitalistas, em que a exploração brutal dos trabalhadores é a regra.”
E é uma escolha que não tem a ver só com formação/produção de consciências. Será que seria conveniente a China abandonar o desenvolvimento de IA pelo quão destrutivo ambientalmente é a tecnologia? Ou a distância tecnológica contra o império vai criar um gap intransponível?
Em que patamar esse debate está sendo levado lá, alguém sabe?
Pelo que presumo das grandes transformações, tentando manter competitividade mas reduzir impactos, me parece que eles pensam nisso. +
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Tomando por princípio que nenhuma experiência socialista foi eficiente ou suficiente em criar o “novo homem” que propunham, cada uma teve avanços e retrocessos.
Sobre a URSS, acredito que é um processo com três estágios, os iniciais da revolução, o período da segunda guerra (antes e depois) e o período anti stalinista, que se aproveitou das contradições do modelo stalinista (que derrotou o nazismo, não podemos esquecer, e impôs um retrocesso pesado ao imperialismo e abriu uma fase anti-colonial no mundo) que pra fazer novas transformações (regressivas) quebrou toda uma perspectiva de continuidade do processo soviético. Mesmo com a rejeição ao Krushev a partir de Brejnev, a continuidade do projeto nunca foi restabelecida. +
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Um dos problemas da URSS foi calibrar centralismo e participação. Por ser centralizado, o poder da burocracia em definir mentalidades era tão eficiente quanto o dos Estados ocidentais. Mas ao mesmo tempo, a participação democrática era um fato, portanto grupos dentro da burocracia do partido conseguia criar fatos políticos pra fazer grandes alterações pros seus próprios interesses. Hoje, as tecnologias e instrumentais desse tipo de engenharia social são muito mais avançados.
Acho que China, com diversas medidas, conseguiu responder às tarefas auto impostas, escapar do risco vital de interferência interna e externa e sobreviver e avançar nessas tarefas no momento de maior regressão do movimento anti capitalista no mundo, tarefa homérica.
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E o “sucesso”, tenho por palpite, tem a ver como o modo que opera o partido.
Tropecei nesse texto que traz umas reflexões sobre essa blindagem da forma partido pela prática, não pela ideologia.
https://www.facebook.com/story.php?story%5C_fbid=26058695903739108&id=100000761628032
O que eu não sei e não fui convencido, é se a formação dos militantes do partido é revisionista. São 100 milhões de integrantes, em um sistema meritocrático, que compõe quase todos os que participam ativamente da política.
No final da era Stalin o PCUS tinha 6 milhões, próximo do final teve 20 milhões, e sabemos que a formação tinha diversos problemas.
Eu li alguns artigos do Xi e de outros integrantes do partido, não estou convencido que a formação seja ruim.